Primeiro veio a dúvida
Depois ficamos em dívida com
Deus
E no paraíso ouviu-se um
adeus
Foi o começo do método
O homem querendo ver o Todo
Saber-se assim Todo-poderoso
Eu sei:
O fruto do conhecimento não
tem caroço
Mas o que sei?
É preciso decompô-lo
Retirar-lhe a casca
Que está dentro do casco
Faz-se necessário abrir o
corpo
Vamos, bando de abutres,
corvos!
Façamos uma incisão aqui
outra ali
Fiquemos no fruto alienados
Usemos habilmente o bisturi
E procedamos com o último
corte
A derradeira cartada
Que tornará hipótese em tese
Teoria em teo
Mas pra que, enfim,
Viver desse modo empenhado
Se o conhecimento deste
E do outro lado
Já provou o homem
E foi pelo homem provado?
Natal, 21 de janeiro de 2004.

Nenhum comentário:
Postar um comentário