Ontem quis perder minha
inocência
E tomei o nome de Deus em vão
Em vão
Ele não estava nem aí
Ele não estava nem aqui
O onipresente não estava
E eu que o queria onisciente
Ele mais uma vez o Altíssimo
Eu cada vez menos
Eu cada vez o baixíssimo
E eu que o queria onipotente
Um espanto
Não um espantalho
Pendurado na cruz
E eu que o queria demente
Eis um cordeiro
Que concorda
Com a corda no pescoço
E eu que o queria imponente
Desconheço este que cala
Que cala e consente
E eu que o queria um ente
Não quero a este
Que nunca foi Deus
Nem conseguiu ser gente.
Natal, 21 de janeiro de 2004.

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