Creio no que crio
No que da boca pra fora tenho
dito
Dito, me desfeito
A boca fala do que o coração
está cheio
Estou cheio do Espírito
Santo!
Eu quero é Pã
Panaceia panteísmo
pandemônio!
Sei que deus existe
Mas não acredito nEle
Penso e logo desisto
Minha religião me desliga
Adeus
Vou-me embora para a Glória
Cristo é o meu alvo
Não vou errar agora
Tenho boa mira
Carrego o meu cruz-credo
Soar como sino: minha sina
Me entreguei como oferta
Foi um tremendo sacrifício
Sempre vivi no vício
Como o pão bebi o vinho
No castelo de Circe
Retiro o que não disse
Minha morada é o Éden
Aporto no país do ópio
Ora amo ora tenho ódio
Eu sempre oro
Deus meu Deus meu
Por que não de todos?
Viver: um tremendo engodo
Cristo: uma crista
Na cabeça do cristão
É preciso também curar os
Sãos
São Pedro com medo dos galos
Socorro, eu não quero ser
salvo!
Sou um no meu terreiro
Sou muito macumbeiro
Pra assumir meus despachos
Deus faz, eu disfarço
Tive de pagar meus pecados
Fui salvo pela Graça
Não achei engraçado
O caminho para o céu é um
inferno
Não vivo sem fazer versos
Se não posso vencê-los
Me uno a eles
Me batizo duas vezes
Continuo o mesmo
Vivo nos extremos
Vou acabar caindo
O céu é um abismo
Penso que eu sou isso
Muito pio
No silêncio deste hospício.
Sérgio Santos
Natal, 26 de novembro de 2003

Nenhum comentário:
Postar um comentário