Creio no amor
Com ardor de uma velhinha
beata
Quero ser um mártir amante
Um cristo apaixonado
Então me bata
Me rasgue as vestes
Me rasgue a pele
Me crucifique na cama
Deixe que eu a traspasse
Molha-me a boca com desejo
Bem molhadinha
Me mate aos poucos
Me deixe só o osso
Me acabe
Até eu não aguentar mais e
gritar
Você não sabe o que está
fazendo
Deus meu Deus meu oh meu
Deus!
Estou todo consumido
Estou já suando frio
Deixe que eu morra
Quero ver o véu verticalmente
se abrir
Vamos criar nossos laços de
lascívia
Mate-me de cansaço
Que eu só ressuscite
Ao terceiro dia.
Natal, 17 de janeiro de 2004.

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