sábado, 21 de abril de 2012

CONFISSÃO



Confesso que não fiz ideia do idealismo
Que quase me espiralei com o empirismo
Que não entendi a meta da metafísica
Que sempre tive uma existência tísica
Uma existência sem existencialismos
Que o meu espírito livre
Nunca adotou livros
Nunca aceitou espiritualismos
Que todas as minhas oses nasceram da gnose
Como a psicose
Eu nunca ouvi vozes
Que vejo muitos ases no baralho
Todo mundo fazendo barulho
Todos no fim empatados
No jogo da vida sou o único pato
E perco
Perco-me nos labirintos de Teseu
Tenho tifo quando o fogo fito
Fico parco
Fico perto da porta
Fico no porto
Fico no ponto da partida
Eu nunca tomo partido
Não, não me encaixem em silogismos
Tenho claustrofobia!
Ser e não ser: minha filosofia
Desejo ainda desenvolvê-la
Devolver-me ao mundo em poesia
E entender essa dialética
Shakespeariana
Algum dia

Natal, 19 de janeiro de 2004.

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