sábado, 21 de abril de 2012

SILÊNCIOS



Vez em quando
Não sei quem é
Este diante do espelho.
Aposentado Narciso?
Um homem com um cisco?
Cidadão, exemplar,
Sujeito com siso?

Continuo seguindo cego?
Não me ergo, não nego,
Sou prego e tenho um emprego?
Calvo, e força são cabelos?
Devo representar esta pantomima?
É esta minha sina?
Viver por procuração?
No circo ser palhaço
Quando se é
Muito mais palha
Quando se sabe
Muito menos aço?

Espantalho no milharal dos tempos
Sinto o augusto urubu
Repousar sobre o meu corpo em forma de cruz.
No meio do palco, faz-se ofuscante luz.
Faço que vou esquecer minha fala
O que dura só um instante

Quando o perigo é gritante
A minha alma se cala.

Natal, 24 de março de 2006

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