sábado, 21 de abril de 2012

BIOGÊNESE



Isto que sou, particular partícula,
Participa do parto de novas portas
Alucinações de labirinto
Isto que sou, anfíbio,
É fruto do acaso e do labor
Sou Adão criado em laboratório
Sou mais um cristo, cristal partido
Sou um homem, o bicho, tenho crido
Em Pasárgadas e Edens
Em Eldorados e Paraísos
Eu estou no exílio
Sou um Sá-Carneiro ofertado em eus
Debaixo dos panos, sou homem
Com as descobertas, sou deus
Sou um sapiens saindo da sopa
Sou um barro oco dando seu primeiro pássaro
Não passarão as palavras
Eu por elas passo
Sempre andei de lado
Sou profundo, conheço as superfícies
Meu físico provém da phisis
Divino feixe de luz
É de madeira toda cruz
Atomizo-me
Torno-me essência
Sou elementar
Sou pó e sopro
Sou composto de mágoa e ar
Me sinto desprender para me eternizar em nadas
Me sinto diluir para me sepultar em tudos
Me sinto outro, uma coisa, o mundo
Eu sinto amor e frio
Tudo o que sei é o que não sou
Sou um paradoxo no cio.

Natal, 02 de fevereiro de 2004.

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