Isto que sou, particular
partícula,
Participa do parto de novas
portas
Alucinações de labirinto
Isto que sou, anfíbio,
É fruto do acaso e do labor
Sou Adão criado em
laboratório
Sou mais um cristo, cristal
partido
Sou um homem, o bicho, tenho
crido
Em Pasárgadas e Edens
Em Eldorados e Paraísos
Eu estou no exílio
Sou um Sá-Carneiro ofertado
em eus
Debaixo dos panos, sou homem
Com as descobertas, sou deus
Sou um sapiens saindo da sopa
Sou um barro oco dando seu
primeiro pássaro
Não passarão as palavras
Eu por elas passo
Sempre andei de lado
Sou profundo, conheço as
superfícies
Meu físico provém da phisis
Divino feixe de luz
É de madeira toda cruz
Atomizo-me
Torno-me essência
Sou elementar
Sou pó e sopro
Sou composto de mágoa e ar
Me sinto desprender para me
eternizar em nadas
Me sinto diluir para me
sepultar em tudos
Me sinto outro, uma coisa, o
mundo
Eu sinto amor e frio
Tudo o que sei é o que não
sou
Sou um paradoxo no cio.
Natal, 02 de fevereiro de 2004.

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