Quem sou eu quando eu sou?
Que Nilo que Tejo que
Capibaribe
Que Potengi
Que rio da minha aldeia
Que rio de Heráclito
É responsável pelo meu devir?
Que ontologia me fez ontem?
Que misticismo me fez misto?
Que metafísica me fez faquir?
Quero saber com quantos caos
Me fiz Pessoa
Em quantos cacos me dividi
Quantas dúvidas foram minhas
certezas
Quanto sabia a verdade e me
iludi
Quantos cristos eu mesmo
criei
Quantos faustos eu mesmo fiz
Quantas teogonias me deram
agonia!
Quanto cético sequei com a
teologia!
Laodiceia morna, eu numa fria
Não sei como começou o cosmos
Não sei como findarão meus
ossos
Não gosto de quem sabe que
sabe
Vejo dois gumes neste sabre
Deus! Minhas crenças são
incríveis!
Não tenho ciência de mim
Não tenho consciência do fim
Seja ele cheio ou o vazio
Quem sou eu?
Quem sou?
Quem?
Estarei no cio?
Vivo à margem de mim
Eu sou o meu próprio rio.
Natal, 21 de janeiro de 2004.

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